Estudo avalia risco de hospitalizações repetidas em um grupo de idosos de Botucatu (SP)
Estima-se que até 2025 o Brasil ocupe a sexta posição mundial no que diz respeito ao número dos idosos. O crescimento da população com idade superior a 60 anos no país aumenta a demanda por serviços de saúde, apesar de a maioria ser saudável. Para se ter uma idéia, o coeficiente de hospitalização, os índices de hospitalização e o custo com a hospitalização do Sistema Único de Saúde (SUS) são maiores para as pessoas de 60 anos ou mais, havendo, entre elas, o maior número de reincidência de internações. Nesse sentido, Isabel Guerra e Ana Teresa Ramos-Cerqueira, da Universidade Estadual Paulista, resolveram estratificar um grupo de idosos quanto ao risco de hospitalização repetida, com o objetivo de possibilitar instrumentalizar e operacionalizar a atenção a ser prestada.
Participaram do trabalho 305 idosos atendidos no Centro de Saúde Escola Achilles Luciano Dellevedove (CSE), da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista. De acordo com artigo publicado na edição de março de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, “das pessoas entrevistadas, 62,3% eram do sexo feminino, e 37,7%, do masculino. A idade foi estratificada em cinco níveis: 31,1% de pessoas na faixa etária entre 65 e 69 anos; 28,9% entre 70 e 74 anos; 19,0% entre 75 e 79 anos; 11,8% entre 80 e 84 anos; e 9,2% com 85 anos ou mais”.
As pesquisadoras verificaram que 56,4% dos entrevistados apresentaram baixa probabilidade de admissão hospitalar repetida; 26,9%, média; 10,5%, média-alta; e 6,2%, alta. Na associação dos indicadores de saúde com a probabilidade de admissão hospitalar repetida, elas observaram que, para idosos classificados como sendo de riscos médio, médio-alto e alto, em relação àqueles com baixo, os riscos relativos foram significativos: saúde média ou ruim; hospitalização; mais de três consultas médicas; diabetes; doença cardiovascular; homens; e 75 anos ou mais.
Dessa forma, Isabel e Ana Teresa ressaltam a necessidade de uma reestruturação dos modelos de atenção à saúde vigentes, privilegiando-se ações preventivas, diagnóstico precoce e tratamento das doenças crônicas, procurando-se, ainda, atuar em relação às incapacidades. Segundo elas, “é imprescindível que se conheça a distribuição das doenças e dos fatores de risco na população, para que se possam realizar o planejamento e a avaliação de programas na área de saúde. Além disso, na tentativa de se reduzir os custos com tratamento e melhorar a qualidade de vida dos idosos, é importante o conhecimento dos fatores de risco associados com admissões hospitalares entre os idosos, no sentido de se prevenir a ocorrência desses fatores e também de se organizar os serviços hospitalares, ambulatoriais e na comunidade”.
