Envelhecimento exige novas políicas
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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), por volta de 2025, pela primeira vez na história haverá mais idosos do que crianças no planeta. O Brasil tem cerca de 13,5 milhões de idosos, que representam 8% da população. Em 20 anos, o País será o sexto no mundo com o maior número de pessoas idosas. Além da saúde, o idoso, no Brasil, enfrenta outros problemas comuns a seu dia-a-dia. A falta de oferta de trabalho; dificuldade em aderir ao processo de aposentadoria e a planos de saúde, abandono da família e depressão.
Esse envelhecimento da população está exigindo do País uma adequação das políticas públicas voltadas para o idoso. “Não só as políticas de assistência e previdência social, mas também políticas de saúde e uma série de adequações que a sociedade brasileira terá que enfrentar”, afirmou o demógrafo Juarez de Castro Oliveira, do IBGE.
Em Uberlândia, uma dessas medidas sociais consiste na instalação de núcleos de atendimento direcionado, como os Centros de Apoio ao Idoso (Ceais). Cerca de 3,5 mil idosos são atendidos, por mês, pela Secretaria de Trabalho e Ação Social, nos dois Ceais, além dos que participam do projeto Conviver, que atua diretamente nos bairros. São oferecidas atividades de lazer como bailes e viagens; oficinas de trabalhos manuais, serviços médicos e odontológicos, atividades físicas como hidroginástica e ioga; alfabetização e encaminhamentos para aposentadoria, entre outros. Segundo a secretária de Trabalho de Ação Social, Iracema Barbosa Marques, a Prefeitura fornece alimentação a sete asilos e quatro recebem também a subvenção.
Maria Terezinha da Silva freqüenta as aulas de ioga oferecidas pela unidade do Ceai na avenida Rondon Pacheco. Terezinha diz que não dá para ficar em casa esperando a morte chegar. “Tendo uma atividade a gente ganha auto-estima, se renova. Não acha mais que está tudo acabando”, diz. Como ela, aumenta o número de pessoas acima dos 60 anos que buscam alternativas para se manter ativas.
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Foto:Manoel Serafim
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Maria Terezinha da Silva freqüenta as aulas de ioga na unidade do Ceai na avenida Rondon Pacheco
A pesquisa Idosos no Brasil - Vivências, desafios e expectativas na 3ª idade, envolvendo 3.759 brasileiros e realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc Nacional e Sesc São Paulo, divulgada esta semana, mostra a necessidade dessas políticas. Na área da educação, por exemplo, 49% da população idosa no País é analfabeta funcional, ou seja, lê e escreve, mas tem dificuldades de compreensão.
Em Uberlândia, cerca de 182 idosos estão se alfabetizando no Programa Municipal de Erradicação do Analfabetismo (PMEA), segundo a coordenadora Viviane Souza. Um número muito pequeno considerando a população de idosos analfabetos da cidade de acordo com dados de 2000, quando foi realizado o último censo do IBGE. Naquele ano, eram 7.275 pessoas acima de 60 anos em Uberlândia que não sabiam ler ou escrever. O número equivale a 21,78% dos analfabetos da cidade, considerando o Censo de 2000.
Parte dos alunos do PMEA é atendida em salas nos Ceais, e enquanto uns ainda estão se alfabetizando outros já começam a descobrir o mundo virtual. Maria Neide começou aulas de informática neste ano e gostou da experiência. “Eu estava achando bom demais ter aula de computação, mas o curso parou porque o contrato com a escola acabou,”, lamenta.
CONSTATAÇÃO
Acesso de idosos a exames de saúde ainda é baixo
A pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostrou ainda que, apesar do Sistema Único de Saúde, do Programa Saúde da Família e da distribuição de medicamentos, além de preços diferenciados das farmácias populares, o idoso brasileiro ainda sofre com problemas de saúde. Dados apontam, por exemplo, que 31% dos homens e 22% das mulheres nunca fizeram um exame cardiológico. Cinqüenta e nove por cento dos homens e 56% das mulheres nunca fizeram um exame de audição. (veja abaixo)
Em Uberlândia, no mês de março, foram feitos 2.561 (28,44%) diagnósticos relacionados a doenças do aparelho circulatório. A maioria, 2.023 casos, de hipertensão (veja quadro). Esses dados referem-se apenas a informações colhidas nas seis Unidades de Atendimento (UAIs).
Os números de diagnósticos feitos apenas nas UAIs trazem um referencial dos problemas mais comuns entre os idosos de Uberlândia que buscam atendimento. Em primeiro lugar estão as doenças relacionadas ao aparelho circulatório, seguidas pelo diabetes.
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Foto: Manoel Serafim

Sebastiana de Oliveira faz parte das estatísticas dos idosos que recebem atenção pública. Só no mês de março foram diagnosticados, nas seis UAIs, 573 casos de doenças relacionadas ao sistema osteomuscular, como os problemas na coluna. Sebastiana começou um tratamento fisioterápico no Ceai do bairro Laranjeiras. O encaminhamento foi feito pela rede municipal de saúde.
“Depois que comecei a fazer as sessões já consigo me vestir e tomar banho sozinha.
“Além da fisioterapia, Sebastiana faz aulas de hidroginástica três vezes por semana, uma orientação médica que ela não dispensa.
Atendimento
Em agosto deve ser inaugurado o Ceai III, no bairro Luizote de Freitas, com capacidade para atender 200 idosos. Para o início do próximo ano está previsto o Ceai do bairro Guarani, apto a receber 500 pessoas.
Mas nem mesmo toda política social do Município consegue atender à demanda. Só no mês de abril, o setor de Proteção Social ao Idoso e à Pessoa com Deficiência Física da Prefeitura recebeu 50 denúncias de violência. A maioria por carência econômica, além de situações como omissão familiar, negligência, agressão física e psicológica e exploração econômica. Segundo a secretária Iracema Barbosa, o número é alto e mostra que, hoje, as denúncias acontecem de forma clara, mais ativa.
ATENDIMENTO UAIs - MARÇO/2007
Diagnósticos informados
Diabetes 749
Hipertensão 2.023
Hiperplasia da próstata 360
Perda da audição 88
Exame ginecológico 162
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde
Percentual de idosos que nunca fizeram um exame médico
Aids 86% - Homens (83%) Mulheres (88%)
Audição 57% - Homens (59%) ?Mulheres (56%)
Próstata 42%
Ginecológico 26%
Cardiológico 26% - Homens (31%) Mulheres (22%)
Diabetes 21% - Homens (27%) Mulheres (16%)
Fonte: Fundação Perseu Abramo
Envelhecimento exige novas políicas
Data: 13/05/2007
Autor: Renata Soares
Autor: Correio de Uberlândia
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