Crefono 2 conversa com fonoaudiólogas e infectologista sobre cuidados necessários em caso de retomada do atendimento presencial

O material produzido a partir do resultado da conversa busca auxiliar os profissionais a decidirem o melhor momento para retomada do atendimento presencial

No início de junho, o Crefono 2 conversou com as fonoaudiólogas Selma Anequini Costa (CRFa 2-4903), Diretora da Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE) da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo, e a Fga. Sandra Maria Vieira de Almeida (CRFa 2-4970), Coordenadora da Área Técnica Saúde da Pessoa com Deficiência/Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Na ocasião, foi discutido o processo em andamento de flexibilização da quarentena e a necessidade da elaboração de um material que auxilie os profissionais a decidirem sobre o melhor momento para a retomada do atendimento presencial de forma segura, responsável e ética.

 

Apesar de não ser competência do Conselho determinar o retorno ao atendimento fonoaudiológico presencial, na conversa com as fonoaudiólogas foi destacado, especialmente, a preocupação de que essa decisão do profissional esteja baseada no impacto da suspensão do atendimento presencial ao paciente, e que a escolha da modalidade do atendimento a ser prestado (presencial, telemonitoramento, teleconsulta ou misto) seja realizada em conjunto com a família, seguindo as normativas do estado de São Paulo e dos órgãos de saúde.

Algumas medidas que fazem toda diferença
As fonoaudiólogas destacaram também aspectos que são fundamentais para a segurança do atendimento presencial nesse momento como: a importância de estabelecer contato telefônico na véspera de cada atendimento para verificar se há algum sintoma relacionado a COVID-19. É sempre bom lembrar também que pacientes com qualquer sintoma respiratório não deverão ser atendidos e que não é permitido realizar atendimentos fonoaudiológicos em grupo durante o período de Pandemia. Outra orientação importante é reforçar que os pacientes, no dia da consulta, sigam as recomendações dos órgãos de saúde para evitar contágio e propagação da doença.

Conversa com infectologista
No dia 8 de junho, o Crefono 2 conversou com a médica infectologista da Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, Raquel Stucchi, com o objetivo de subsidiar a decisão dos fonoaudiólogos sobre o retorno dos atendimentos presenciais individuais e quais procedimentos devem ser adotados para manter a segurança nos atendimentos.  As questões foram elaboradas durante a conversa com as fonoaudiólogas Selma Anequini Costa e Sandra Maria Vieira de Almeida, bem como a partir das demandas de profissionais que chegam ao Departamento de Orientação e Fiscalização do Crefono 2.

Pela própria dinâmica da Pandemia, é importante frisar que as informações sobre o novo coronavírus são atualizadas constantemente pela comunidade científica, e que os profissionais precisam estar atentos a essas mudanças.

 Confira na tabela abaixo* as principais dúvidas dos fonoaudiólogos e as respostas da médica infectologista Raquel Stucchi no dia 8 de junho.

Aspectos gerais:

  • Importância de higienização das mãos, tanto pelo paciente como profissional;
  • Ao confirmar a consulta, deixar claro que qualquer sintoma respiratório é impeditivo para o atendimento, mesmo que a suspeita seja uma rinite, por exemplo;
  • Dimensionar adequadamente a sala de espera, evitando aglomerações e mantendo a ventilação adequada. Deixar espaço demarcado entre as cadeiras, de forma a manter o distanciamento recomendado pelos órgãos sanitários.

  

AMBIENTE / CUIDADOS

DÚVIDA

RESPOSTA/ORIENTAÇÃO

08/06/2020 (atualizado em 18/06/2020)

 

 

Qual é a chance de se contrair o novo coronavírus, em função das gotículas dispersas no ar, pela fala?

Há uma chance grande de transmissão da doença através das gotículas, quando os falantes estão próximos. Estudos apontam que as gotículas não atingem distâncias maiores que 1m80cm

 

Quando não possível evitar o ar condicionado, existe alguma orientação quanto à limpeza dos filtros para este momento? Uma frequência maior de limpeza?

Não há recomendação específica para limpeza dos filtros de ar condicionado diante da pandemia, mantendo-se os protocolos existentes.

O ideal seria ventilação dos ambientes.

 

É válida a instalação de barreira Física/Divisor de acrílico nas salas de terapia?

Sim, é válida a instalação de barreira física/divisor de acrílico, com a devida higienização da barreira e da superfície onde está instalada, entre os atendimentos.

 

Há um tempo mínimo de intervalo entre um atendimento e outro?

Pacientes sem sintomas respiratórios, o intervalo recomendável é de 30 minutos, para higienização adequada de todos os materiais e superfícies e ventilação da sala.

Pacientes sintomáticos, ou com coronavírus, intervalo de 2 horas, no mínimo.

 

 

 

USO DE  EPIs - Máscaras

As de pano são eficientes para a situação de terapia?

Não, as máscaras de tecido não são recomendadas para os atendimentos. Considerando que há proximidade entre profissional e paciente, deve ser utilizada a máscara cirúrgica.

O profissional poderá utilizar uma mesma máscara cirúrgica por um período de 3 ou 4 horas, desde que não esteja molhada/úmida. Se houver necessidade de retirá-la, deverá tocar apenas no elástico e repousá-la sobre um papel descartável, de forma que a superfície não seja contaminada.

As máscaras de TNT, desde que tenha uma gramatura acima de 40, com camada dupla, possuem a mesma eficiência que as máscaras cirúrgicas e são descartáveis.

 

Qual a efetividade das máscaras transparentes? Já tem algum estudo com elas? São seguras quanto à transmissão e também salubres para quem usa?

As máscaras transparentes podem comprometer a respiração do usuário. Para o fonoaudiólogo, pode ser uma opção apenas para o momento de demonstração de um exercício.

Para limpeza das máscaras transparentes, a biguanida é o produto recomendável, pois mantém a vida útil do plástico.

 

É necessário fornecer máscara cirúrgica ao paciente antes do atendimento?

Sim, para garantir a segurança do paciente e do profissional.

 

Com relação à troca da máscara do terapeuta, deve-se usar uma para cada paciente (sessão em média de 45min) ou é pelo tempo de uso?

O profissional poderá utilizar uma mesma máscara por um período de 3 ou 4 horas, desde que não esteja molhada/úmida. Se houver necessidade de retirá-la, deverá tocar apenas no elástico e repousá-la sobre um papel descartável, de forma que a superfície não seja contaminada.

 

 

Havendo necessidade de retirar a máscara durante uma sessão de terapia, existe alguma distância segurança para isso?

Sempre preservar a distância aproximada de 2 metros.

 

Quando o fgo deve usar máscaras que filtrem mais, a N 95, N99, N100, PFF2 ou PFF3?

Sempre que há chance de produzir aerossóis.

Nos atendimentos domiciliares que o paciente estiver em ventilação mecânica, também é necessário.

 

As máscaras N95, N99, N100, PFF2 ou PFF3 podem ser reutilizadas?

Quando as máscaras devem ser descartadas?

Quais máscaras e como podem ser higienizadas?

 

Sim, podem ser reutilizadas, desde que não haja sujidades. Especial atenção deve ser dada ao acondicionamento, de forma a manter boas condições de reutilização. Pode ser utilizado, por exemplo, um pote plástico com furinhos para ventilação, em que os elásticos da máscara fiquem para fora.  

Outra possibilidade é ter mais de uma máscara e alternar o dia de uso.

 

 

 

Protetor Facial/Face shield

O protetor facial/face shield pode ser usado sem a máscara?

Alguma recomendação específica para ele?

Não, o face shield   deve ser sempre utilizado  com máscara. 

A possibilidade de utilizar o face shield sem a máscara, será apenas em momento restrito de demonstração de um exercício, mantendo distancia segura.

 

Podemos oferecer face shield para a criança usar durante o atendimento? É uma forma segura para quem não usa máscara?

O face shield é um equipamento de proteção a mais que deve ser acompanhado do uso de máscara. O face shield isoladamente não é recomendado.

Jaleco descartável, touca, óculos de proteção ou protetor facial, máscara N95/ PFF2 ou equivalente

Em que situações o fonoaudiólogo deve utilizar esses equipamentos?

Em qualquer procedimento que gere aerossóis, naqueles em que há chance de o profissional entrar em contato com sangue ou secreções do paciente, no atendimento domiciliar em que o paciente está em ventilação mecânica, ou para atendimentos em que o paciente apresente sintoma respiratório.

 

Qual a frequência de troca desses equipamentos (jaleco, óculos)?

Deve ser trocado sempre que houver sujidade.

Luvas

Procede o uso de luvas de procedimentos sobrepostas?

Quando usar a luva estéril?

Luvas sobrepostas apenas para procedimentos em que há risco de perfuração e para aspiração das vias aéreas.

Luva estéril: apenas para cirurgia

Sempre se deve fazer a higienização correta das mãos antes e depois de calçar as luvas.

 

QUALIDADE DOS EPIs

Há algum selo de garantia ou algum critério para garantir que são de qualidade?

Infelizmente, não.

Desconfiar de preços muito baixos, que podem ser indicativos de carga roubada ou produtos falsificados.

DESCARTE DE RESÍDUOS

Como deve ser realizado o descarte de resíduos?

Os EPIs devem ser descartados como resíduos orgânicos e não recicláveis. Caso  tenham entrado em contato com sangue e secreções, são classificados como infectantes, portanto, necessário descarte em caixa para material infectante.

ATENDIMENTO DOMICILIAR

Quais devem ser os EPIs para o atendimento no domicílio do paciente?

Indicado o uso do avental descartável, além do uso da máscara cirúrgica.

Caso o atendimento seja de pacientes em ventilação mecânica, o fonoaudiólogo deve utilizar N95, face shield e luvas.

 

EXAMES OTONEUROLÓGICOS

Em função da injeção de ar nos ouvidos, há necessidade de utilizar o face shield?

Não há necessidade de utilizar o face shield em função da injeção de ar nos ouvidos. No entanto, havendo a possibilidade do paciente enjoar e vomitar pode ser interessante seu uso, assim como avental  descartável e um plástico por cima.

EXAMES AUDIOLÓGICOS

 

Temos uma nota de orientação para utilização do plástico para encapar as paredes a cabina, acha necessário?

E o chão das cabinas, o uso de propé é suficiente?

Não se faz necessário encapar a cabina. É importante a higienização da cadeira, encapar fones, aros e microfones com filme plástico.

Não há necessidade de propé. Recomenda-se ofertar máscara ao paciente antes de entrar na cabina e realizar a higienização das mãos.

 

Como deve ser o uso dos EPIs pelo paciente na cabina (propé e máscara)?

Desnecessário uso do propé, mas máscara deve ser utilizada.

Fones, vibrador

É recomendável encapar os fones e aro de metal com plástico filme, que deverão ser higienizados ou trocados ao término de cada atendimento?

Sim, é recomendável encapar os fones e o aro com filme plástico, com limpeza ou troca após cada atendimento.

Tempo de intervalo entre pacientes para o uso da cabina

Qual seria o tempo ideal entre um paciente e outro, pensando na situação da cabina sem ventilação?

No caso de pacientes assintomáticos, acredita que 30 minutos.

Sugeriu que o fonoaudiólogo avalie se é factível, do ponto de vista econômico, oferecer ao paciente luva, máscara e avental descartável enquanto estiver na cabina.

 

Durante o exame na cabina

Recomendado solicitar que o paciente não toque na cabina e levante a mão para a resposta, ao invés de utilização da pera, correto?

Sim, o paciente deve ser orientado a não tocar em nada.

 

Olivas

Como deve ser o cuidado na introdução de olivas durante a imitanciometria? O terapeuta precisa utilizar luvas ou apenas a higienização das mãos é suficiente?

Apenas higienização das mãos e uso de mascara.

Higienização de olivas

Já é de praxe higienizar as olivas com sabão neutro e ou peróxido de hidrogênio 0.5%  e ou ácido peracético 0,5%. , é suficiente para a situação do COVID-19?

 

Sim, pode-se higienizar como de praxe.

MATERIAIS E SUPERFÍCIES

 

Quanto aos materiais usados em terapia: livros, papéis, jogos de tabuleiro, lápis, canetinhas, brinquedos de plástico, madeira e metal. O que pode ser usado com segurança e qual modo correto de higienização?

 

Os materiais que permitem higienização podem ser utilizados com segurança.

Papéis, por exemplo, só poderiam ser utilizados com aqueles pacientes capazes de entenderem a regra: durante o uso não é permitido levar as mãos ao rosto.

Materiais cartonados, plastificados, permitem higienização.

É imprescindível que as mãos do paciente e profissional sejam higienizadas com frequência durante as atividades, independentemente do tipo de material em uso.

No manuseio de livros podem ser utilizadas luvas, tendo-se os mesmos cuidados de não levar as mãos ao rosto e a necessidade de higienizar as mãos, após a retirada adequada das luvas.

 

O que utilizar para a limpeza? Temos recomendado a Nota Técnica 26 da ANVISA sobre produtos saneantes - tem outra recomendação?

Produtos descritos pela Anvisa como saneantes contemplam a desinfecção.

Importante: a luva de limpeza deverá ser de borracha, de uso exclusivo para o local do atendimento, e lavada após cada utilização. Esta luva deve ser separada para uso exclusivo das salas de atendimento.

 

A Biguanida e o Cloreto de Benzalcônio 

(Lysoform) podem ser utilizados?

Sim, pode-se utilizar Biguanida e Lysoform. A biguanida não danifica tanto os materiais.

OUTROS EQUIPAMENTOS: Laser e Eletroestimulação, Estetoscópio, Oxímetro, etc

 

Aconselhável a proteção com PVC e higienização de aparelhos e cabos?

Sim.

MICROFONES  

Qual recomendação para a desinfecção dos microfones?

Encapar com filme plástico e limpar ou trocar, após cada atendimento.

ESTIMULADORES RESPIRATÓRIOS

É possível ser compartilhado, após higienização?

Não, é um equipamento de uso exclusivo de cada paciente.

 

*Tabela Atualizada no dia 18 de junho de 2020 às 16:07

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